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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Bicho Leviano.

Eu tô doente!
Um bicho leviano me picou!
Tô com a febre desses que andam
E não olham onde pisou.


É a doença dos pássaros!
Criando penas,
Correndo em vez de passos.
É pra pegar impulso,
É pra pular nos galhos.

É a doença dos pássaros!
Criando asas,

Sigo batendo por onde o vento soprar
Sem saber onde vai dar.

Mas passarinho cria ninho,
Passarinho voa e volta.
Acho que sou borboleta,
Leve e desgovernada,
Só é bonito pra quem olha.

Queria eu ter garras,
Pra não me perder
Nesse teu vendaval sem rotas.


— Stephany Sousa.



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Máquina de Respostas.

Desde pequena eu penso numa máquina que me respondesse qualquer pergunta com exatidão. Eu realmente lembro de mim com meus 8-anos-sei-lá visualizando essa máquina como um óculos, e apareceria a reposta pela lente... Apesar desse objeto ser estranho, o mais estranho eram as perguntas que eu fazia. As quais eram completamente impossíveis, eu buscava respostas do tipo: Quantas pessoas no mundo estão com chiclete grudado no cabelo? Quantas pessoas estão se cortando com uma folha de papel agora? Quantas pessoas estão sendo cagadas por pombos?
Escrevendo esse texto, reparei que quando eu era pequena tentava pensar na coisa mais incomum para tentar achar o mínimo de pessoas no mundo fazendo a mesma coisa. O objetivo era achar a pergunta que me daria a resposta de que apenas uma pessoa no mundo inteiro estaria fazendo algo sozinha (Inclusive eu nunca fiz essa pergunta direta porque a graça era achar a pergunta mais limitante possível). Acho que era uma curiosidade de saber se o mundo é tão grande o suficiente para ter várias pessoas fazendo coisas estranhas ao mesmo tempo, desafiando as probabilidades do planeta.
Depois de muitos anos, o estranho se tornou eu ainda "usar" essa máquina nas minhas observações (Isso se deve por uma característica minha muito forte que é ver as coisas com olhos de criança, ou seja, ver beleza onde não tem e me impressionar com pouco. Como por exemplo, achar bonito uma menina de aparentemente 4 anos brincando de amassar latinhas para os pais em pleno ano novo. Naquele momento, nem eu, nem a menina pensamos no lado ruim daquela "brincadeira"). Porém, hoje em dia eu não fico mais buscando a pergunta "da única pessoa fazendo algo sozinha", eu vejo algo peculiar, como duas pessoas tropeçando ao mesmo tempo, e me pergunto: "Quantas pessoas no mundo tropeçaram simultaneamente com elas?"
Eu nunca tinha refletido sobre isso tudo, é apenas uma brincadeira introspectiva como a de não pisar nas linhas do chão. Muitas pessoas fazem isso depois de grande (eu). Até que um dia eu estava andando de ônibus e vi um cartaz com uma mensagem de amor preso no sinal e pensei: "Quantas pessoas no mundo estão achando seus cartazes pelas ruas e se emocionando?" Naquele momento, quase que instantaneamente, me veio um brainstorm sobre o sentido disso... Você pode estar fazendo exatamente a mesma coisa, e ao mesmo tempo, que bilhões de pessoas no mundo e até fora dele... Mas isso não vai deixar de ser único pra você ou para as pessoas a sua volta. Tudo que a gente faz é único, até copiar. Pois uma mesma mensagem não toca corações iguais; uma mesma peça teatral pode ser a melhor peça da vida de duas vidas completamente diferentes, por motivos diferentes em dias diferentes.
Nós somos o que marcamos e deixamos para outras pessoas e para nós mesmos. Momentos, experiências, conversas, toques físicos e morais... Essa parte você pode interpretar como algum legado após a morte, mas esse é um efeito durante a vida, o qual faz com que as pessoas que você se distancia se lembrarem de você, e faz manterem um sentimento mesmo não mantendo contato; e se você fez algo negativo não deixa o tempo curar, pois certas marcas que deixamos no coração dos outros tem força além tempo. Então só atitudes mudam outras atitudes. Faça algo para mudar, faça algo para manter, faça algo para aumentar, faça algo para marcar... Faça algo e será único.

— Stephany Sousa.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Passeando com a saudade.

Desde que você se foi, todos os dias levo minha saudade pra passear. Em cada esquina que ela marcou território, faz questão de me travar. A cada lembrança, a saudade começa a te farejar. Inexplicavelmente, só de pensar, sinto seu cheiro exalar no ar. Em meio a poluição sonora, visual e mistura de fartuns… Todos os sentidos se ocultam na presença do seu eflúvio. A saudade então fica mais forte, tenta me puxar para o caminho onde o coração diz saber que você está. Mas meu orgulho segura as rédeas, e me guia para onde eu devo ir. Não necessariamente o mesmo lugar onde eu queria estar
— Stephany Sousa.

Barreira.

EU TENTO MUDAR, MAS EU SOU MAIS FORTE do QUE EU.

Dezembro de 2011.

Por muito tempo eu me conformei que sempre seria assim: Minha essência sendo meu próprio fardo. O pensar demais, por um lado, me dando respostas certas; por outro, me fazendo questioná-las. Eu sei o que é errado. Eu sei o que é certo. Mas o que é mais certo pra mim? Assim, em vez de eu seguir em frente com tranquilidade, eu seguia com o peso da incerteza. Porém eu não seguia em frente, pelo caminho que eu enfrentaria novos problemas, que exigiria mais força e me proporcionaria a mudança de ser uma nova pessoa. Eu seguia ao lado de uma barreira de inseguranças que eu mesma criava a cada passo, onde eu encarava somente o que estava ao meu alcance, onde eu nunca alcançava minha evolução. E minha evolução estava do outro lado, mas aquela enorme barreira de receios era muito maior que eu.

Uma pessoa que também teve uma barreira em seu caminho, me disse que era difícil, mas que eu era forte o suficiente para escalá-la, só eu não acreditava nisso. E não acreditava mesmo. Eu achava que ou minha barreira era muito maior que a dele, ou ele era muito mais forte que eu. Até tentei passar por cima da barreira, mas não adiantava... Quanto mais eu passava por cima, e olhava o quão alto estava, me dava medo de não ter mais forças para continuar ou caia pelo simples medo da altura. Não dava para passar por cima dos meus problemas, eu tinha que resolvê-los e acabá-los definitivamente um por um para diminuir o tamanho da barreira. Mas eram muitos, eram pesados, alguns tão antigos que eu achava nem precisar tirar dali, fazia parte de mim.

Até que um dia, alguém do outro lado (que não me via, mas de alguma forma me sentia) disse que lá tinha um mundo de oportunidades, e que eu não só tinha capacidade de viver ali, mas que também merecia estar ali porque eu era uma pessoa boa. Como assim ela sabe que eu sou capaz? Ela não me conhece! Como ela sabe que eu mereço? Nunca fiz nada esperando retorno! O problema é que só eu via aquela barreira, por isso achava que não tinha forças. Essa pessoa me via pois não tinha nada entre nós, só os meus receios. E ela não só me via, como enxergava as coisas boas que eu fazia (mesmo eu não mostrando). Isso me fez perceber meu potencial, me fez querer ser realmente boa pras pessoas, me fez querer ser realmente boa pra mim.

Parece que aquela pessoa do outro lado, fez só um furinho na minha barreira pra eu ver como é o mundo de oportunidades que estava perdendo por me conformar como eu era e não enfrentar meus problemas mais sérios; quando vi o quanto eu queria e podia estar lá, libertei toda a força que eu escondia e quebrei toda minha barreira de um vez só. Cada vez que eu percebia que era capaz, ficava feliz, ganhava mais gás, me tornava mais forte, e mais feliz... A sensação é de que nenhuma outra pessoa seria capaz de me derrubar, além de mim. E eu nunca mais serei essa pessoa.

— Stephany Sousa.
Outubro de 2014.

Tantamente.

Pelas palavras me descarrego.
Pelos textos me divido.
Em mim, não cabem tantos pensamentos.
Me sufoco, me canso, me esgoto.
Nunca estou sozinha,
Converso comigo constantemente.
Incessantemente.
Observo, analiso cada movimento.
Me surpreendo:
Como as pessoas conseguem parecer tão desconectadas do mundo? Como é possível um olhar vazio? Ou elas não refletem sobre suas vidas, ou elas são uma farsa. Aqui, o que se passa em cada segundo de cada mente? É possível descansar da própria mente?
Parece que sim,
Mas não para mim.
Sou minha teoria, minha aprendiz, minha tutora.
Não sei quem sou, nem quero saber.
Sinto que no dia que eu descobrir
Aí que nada fará sentido.
Eu sou pensamento, eu sou questionamento, eu sou incertezas. 
 — Stephany Sousa

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Rua das Oportunidades.

Eu sempre desço do ônibus no ponto mais longe da minha casa e ao mesmo tempo mais perto do centro comercial do meu bairro. Ambas as referências são bem próximas, a diferença é que no ponto perto da minha casa eu sigo uma reta numa rua vazia; no ponto que passa pelo centro, eu dou uma volta em volta de oportunidades. Prefiro andar mais e arriscar um encontro inesperado, uma conversa boa, um momento simples que me tire um riso, ou que simplesmente me tire um sorriso, do que chegar mais rápido no lugar onde eu posso prever o que pode acontecer. E que mais depende de mim para acontecer. Não vou limitar meus passos e deixar toda uma possível descoberta só pro destino chegar mais rápido até a mim. Não quero esperar, nem atalhar e reduzir minhas experiências. Eu posso seguir o caminho em busca de um destino, e não somente o contrário. Ele pode até ser “pré-definido”, mas não automaticamente aceito. Eu teria um destino na rua vazia, e alguns destinos na rua das oportunidades. 

— Stephany Sousa.

Cena Oculta.

A noite o teatro fecha.
Guardam-se as máscaras,
A atuação encerra.
A noite quando os olhos se fecham,
Abrem-se os prantos.
A realidade começa.
Quando as luzes se apagam,
Quando não há mais platéia,
O show particular começa:
Drama, terror, um romance jamais visto...
A melhor atriz.
Aquela que escondia seus próprios sentimentos,
Se revela.
A história que todos cansaram,
A peça que ninguém quer ver,
O fim que nunca se permite ter.

— Stephany Sousa.