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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Rua das Oportunidades.

Eu sempre desço do ônibus no ponto mais longe da minha casa e ao mesmo tempo mais perto do centro comercial do meu bairro. Ambas as referências são bem próximas, a diferença é que no ponto perto da minha casa eu sigo uma reta numa rua vazia; no ponto que passa pelo centro, eu dou uma volta em volta de oportunidades. Prefiro andar mais e arriscar um encontro inesperado, uma conversa boa, um momento simples que me tire um riso, ou que simplesmente me tire um sorriso, do que chegar mais rápido no lugar onde eu posso prever o que pode acontecer. E que mais depende de mim para acontecer. Não vou limitar meus passos e deixar toda uma possível descoberta só pro destino chegar mais rápido até a mim. Não quero esperar, nem atalhar e reduzir minhas experiências. Eu posso seguir o caminho em busca de um destino, e não somente o contrário. Ele pode até ser “pré-definido”, mas não automaticamente aceito. Eu teria um destino na rua vazia, e alguns destinos na rua das oportunidades. 

— Stephany Sousa.

Cena Oculta.

A noite o teatro fecha.
Guardam-se as máscaras,
A atuação encerra.
A noite quando os olhos se fecham,
Abrem-se os prantos.
A realidade começa.
Quando as luzes se apagam,
Quando não há mais platéia,
O show particular começa:
Drama, terror, um romance jamais visto...
A melhor atriz.
Aquela que escondia seus próprios sentimentos,
Se revela.
A história que todos cansaram,
A peça que ninguém quer ver,
O fim que nunca se permite ter.

— Stephany Sousa.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Segurança.

Segurança, a palavra que eu tive mais dificuldade de entender. Poucas pessoas me ensinaram, e poucas pessoas me dão o exemplo. Eu mesma nunca fui um. Eu sempre me defendi sozinha -e muito mal- por não confiar em ninguém, nem em mim. Então garantia minha segurança filtrando as pessoas que poderiam se aproximar, com o receio de me machucar. Assim eu me isolava, me privava de momentos, de sofrimentos e consequentemente, da evolução. Pois evoluir é sofrer, sofrer também é viver e só vive quem tem confiança. Sem me isolar, minha proteção é saber da força que consigo encarar. Antes eu fugia. Agora, se não estou bem, tento me agarrar em todas as pessoas e oportunidades que me fazem bem.

— Stephany Sousa.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Liberdade de Insanidade.

Uma peça teatral com as insanas reproduções da vida, exageros do cotidiano, a incorporação do nosso corpo externo e mental. A sociedade não é poética, as pessoas são. Por isso poetas fazem da realidade uma doce melancolia ou criam nela uma utopia. Essas artes reproduzem as irrealidades da nossa realidade. São essas, nossas atitudes mais intensas nas quais são reprimidas pela consciência e pelo receio de parecer maluco. Este é o paradoxo da vida social, já que pessoas insanas não possuem essa razão da consciência de que elas não conseguem mais se controlar dentro de si, e assim parecem estranhas aos olhos dos corretos. Então como nós poderíamos ser loucos se nós nos controlamos para não ser? Nós somos associados aos loucos ao demonstrarmos nossos reais impulsos. Não se controlar é, na verdade, deixar de ser controlado pelo senso comum. O limite que essa “razão” impõe nas nossas ações, é a camisa de força da sociedade. Liberdade de expressão está muito além de onde você se expressa, e ao mesmo tempo, literalmente como você se expressa. Nós cobramos dos outros esse passe livre para divulgarmos nossos pensamentos, enquanto nós mesmo prendemos nossos sentimentos. Para nós, é estranho pessoas falarem livremente seus pensamentos e deixarem fluir suas expressões corpóreas. Essas pessoas ficam em sanatórios. Para nós, é normal dar uma satisfação forjando um gesto de esquecimento quando se dá meia volta na rua; ou por não conseguir cantar, pular e sorrir sozinho ao ouvir música nos fones em público… As outras pessoas a sua volta não estão ouvindo a mesma coisa que você, não estão sentindo a mesma coisa que você. Então não vá para o mundo externo e vazio para ser considerado normal, eles que deveriam entrar na dança e compartilhar da tua alegria. Somos todos estranhos, pois ninguém realmente conhece o outro por dentro, talvez nem nós mesmos. Quem nunca se surpreendeu consigo? Liberte-se de dentro da mente dos outros e deixe a sua gritar. Para eles, você é mais um maluco no mundo, então vista a carapuça e se considere o único.
— Stephany Sousa.
 Se você achou esse texto louco demais, não foi por falta de título.